
Ministro Alexandre de Moraes acusa Bolsonaro de ter violado a tornozeleira eletrônica e tinha ‘elevado risco de fuga’, por isso decidiu por sua prisão preventiva
Por Edmilson Pereira - Em 2 meses atrás 870
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que Jair Bolsonaro violou uso de tornozeleira eletrônica e tinha “elevado risco de fuga”, na decisão em que determinou prisão do ex-presidente neste sábado (22).
“O Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal comunicou a esta Suprema Corte a ocorrência de violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025. A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, diz trecho da decisão do ministro.
Na sexta-feira, 21, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia convocado uma vigília em apoio ao ex-presidente para a noite deste sábado, na frente do condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
O ministro do STF que, apesar de estar disfarçada de “vigília” pela saúde de Bolsonaro, “a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de manifestações populares criminosas, com o objetivo de conseguir vantagens pessoais”.
“Neste caso, a eventual realização da suposta ‘vigília’ configura altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar decretada e põe em risco a ordem pública e a efetividade da lei penal”, diz a decisão.
Segundo Moraes, o conteúdo da convocação para a “vigília” indica a possível tentativa de utilizar a aglomeração de apoiadores “com a finalidade de obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pela Polícia Federal e pela Polícia Polícia Penal do Distrito Federal”.
“O tumulto causado pela reunião ilícita de apoiadores do réu condenado tem alta possibilidade de colocar em risco a prisão domiciliar imposta e a efetividade das medidas cautelares, facilitando eventual tentativa de fuga do réu. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido da decretação da prisão em razão da fuga do distrito da culpa, quando demonstrada a pretensão de se furtar à aplicação da lei penal”, diz Moraes.
Na decisão, o ministro do STF cita ainda a distância de 13 quilômetros entre o condomínio de Bolsonaro e o Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, onde está a Embaixada dos Estados Unidos, destacando que a distância pode ser percorrida em cerca de 15 minutos de carro.
“Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político àquele país”, diz.
Fonte: O Estado
Foto: Wilton Junior/Estadão