
Ameaça: Banco Central pode aplicar ‘cartão amarelo’ ao BRB caso governo do DF não faça aporte no banco até 31 de março
Por Edmilson Pereira - Em 13 horas atrás 163
O Banco Central pode aplicar uma espécie de “cartão amarelo” no Banco de Brasília (BRB), com a adoção de “medidas prudenciais preventivas”, caso o governo do Distrito Federal (DF) não faça aportes no banco até o dia 31 de março — data-limite para a divulgação do seu balanço. A necessidade de aporte para aumentar o patrimônio do banco é uma consequência dos negócios feitos com o Master e que vão abrir um rombo no balanço no BRB.
Segundo apurou o Estadão, o BC pode adotar a Resolução 4019, de 2011, a mesma que recaiu sobre o Master, e que impõe uma série de restrições à instituição financeira, como o impedimento de abrir novas agências, explorar novos negócios e impor limites operacionais ao banco.
Procurado, o BRB informou que foram propostas ao Banco Central “diversas alternativas para eventual recomposição patrimonial” e que o BC “concedeu um prazo para que as medidas fossem implementadas” (leia mais abaixo). O BC e o governo do DF não se manifestaram.
A medida é vista no mercado como uma espécie de “ultimato” com um prazo para que o banco melhore os seus indicadores, sob pena de sanções ainda mais severas, como intervenção e liquidação, em um cenário mais extremo, e até mesmo federalização — alternativa descartada pelo novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em entrevista ao Estadão.
“A medida impõe uma série de restrições ao banco, até que ele consiga recompor o seu índice de Basileia. Na prática, ele tem de reduzir a atividade, fechar agências, fica impedido de conceder aumento de salários para administradores, pagar dividendos, distribuir lucros e operar com determinados produtos de crédito”, explicou Luis Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Ratings.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Banco Master, segundo investigações do BC e da Polícia Federal. Posteriormente, esses papéis foram trocados por outros ativos, que a nova direção do BRB ainda tenta vender para bancos no mercado financeiro.
Agora, o banco estatal precisa cobrir esse rombo, cujo valor final ainda não foi calculado. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o buraco pode ultrapassar R$ 5 bilhões — mas o rombo pode ser maior, podendo chegar a R$ 9 bilhões, afirmam pessoas próximas.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Banco Master, segundo investigações do BC e da Polícia Federal. Posteriormente, esses papéis foram trocados por outros ativos, que a nova direção do BRB ainda tenta vender para bancos no mercado financeiro.
Agora, o banco estatal precisa cobrir esse rombo, cujo valor final ainda não foi calculado. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o buraco pode ultrapassar R$ 5 bilhões — mas o rombo pode ser maior, podendo chegar a R$ 9 bilhões, afirmam pessoas próximas.
No Banco Central, por outro lado, há o entendimento de que o prazo de 31 de março é uma data-limite para o BRB e a autoridade monetária não hesitará em aplicar as medidas restritivas da resolução 4019. Segundo apurou a reportagem, porém, a princípio, há uma boa avaliação da parte do BC sobre a nova administração do banco após a saída do ex-presidente Paulo Henrique Costa, investigado pela Polícia Federal no caso Master.
Em 2025, o DF ficou com a nota C de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional, que analisa a situação fiscal dos Estados e municípios com base em endividamento, poupança corrente e índice de liquidez — ao lado de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Acre. Essa nota impede o DF de contrair novos empréstimos com garantia da União.
O BRB também enfrenta uma crise de confiança por conta de seus negócios com o Master e passou por duas ondas de saques de correntistas, desde a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, que o obrigaram a vender R$ 5 bilhões em carteiras para melhorar os seus índices de liquidez, conforme revelou o Estadão.
Os ativos vendidos para bancos privados incluem carteiras de crédito consignado e de antecipação de saque-FGTS. Conforme a reportagem revelou, o BRB também negociou a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de empréstimos concedidos a Estados e municípios, com garantias do Tesouro, para Itaú e Bradesco. Isso fez o banco levantar mais R$ 730 milhões — valor presente das carteiras.
Venda de ativos não resolve problema patrimonial do BRB – O problema patrimonial do BRB não se resolve com a venda de ativos próprios, e dependerá de aportes feitos pelo controlador, segundo pessoas próximas consultadas pelo Estadão.
Os ativos já estão lançados no balanço e a sua venda não significa “dinheiro novo” na instituição. Nesse caso, o BRB apenas troca ativo por dinheiro, sem aumentar o capital total. O risco é a venda acontecer com deságio, ou seja, por um valor abaixo do que estava precificado — como acontece quando a instituição precisa levantar recursos rapidamente.
Os recursos “novos”, vindos do controlador, são cruciais para tapar o rombo provocado pelos negócios com o Master e também para cobrir prejuízos com a venda de carteiras com deságio.
Como o BRB precisa recompor seus índices de liquidez, e tem a necessidade de vender rapidamente os seus ativos, os compradores exigem um desconto (deságio) para adquirir os papéis — o que acaba se transformando em prejuízo. Isso agrava o Índice de Basileia, um indicador de prudência exigido pelo Banco Central. A solução, nesses casos, depende dos aportes do controlador para melhorar esse índice.
“Há ativos, como carteiras de crédito consignado de servidores públicos, que já têm precificação a mercado, por serem bem avaliados, como uma commodity. Nesses casos, o risco de deságio é menor. Para outras classes de ativos, com menos liquidez, esse risco aumenta”, explicou Santacreu.
No Banco Central, existe uma preocupação de que a proximidade das eleições desestimule Ibaneis Rocha a encontrar uma solução mais rápida. O entendimento é de que, quanto maior o prazo para resolver o problema, maior será a conta a ser paga pelo governo do DF.
A nova gestão do BRB trabalha para consolidar um plano até o dia 31 de março que envolve três frentes: aporte de capital, geração de liquidez e recuperação de imagem e reputação. A estratégia é publicar nessa data o balanço de 2025 mostrando a situação real do banco e comunicar, de forma conjunta, uma solução para o capital da instituição.
O que diz o BRB
Veja a íntegra da nota do Banco de Brasília:
O BRB informa que, conforme plano de capital preventivo apresentado recentemente ao Banco Central, foram propostas diversas alternativas para eventual recomposição patrimonial. O regulador concedeu um prazo para que as medidas fossem implementadas.
Entre as opções avaliadas estão soluções de mercado, como a venda de carteiras e ativos, estruturação de fundo com imóveis e contratação de linha junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou consórcio de bancos. O aporte é uma das possibilidades consideradas, e não a única medida em avaliação.
O Banco mantém interlocução permanente, técnica e transparente com o Banco Central. A instituição segue prestando informações de forma tempestiva e colaborativa, inclusive no que se refere ao acompanhamento de ativos específicos e ao monitoramento de indicadores prudenciais.
Ressalta, por fim, que seguem operando normalmente, com atendimento em todas as agências e canais digitais, sem impactos sobre a continuidade operacional nem sobre a execução de sua estratégia de negócios.
Fonte: Estadão
Foto: Divulgação/Web