
Citado em investigação da PF: Diálogos de WhatsApp, anotações e passagem aérea: veja as menções a Lulinha no inquérito do INSS
Por Edmilson Pereira - Em 6 dias atrás 498
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que encontrou menções a um dos filhos do presidente da República Lula, em três diferentes conjuntos de informações colhidas ao longo da investigação sobre desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Procurada, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, disse que ele nunca teve relação com o INSS e classificou as referências como “ilações”.
As menções encontradas pela Polícia Federal são constituídas por diálogos de WhatsApp, passagens aéreas, anotações e o depoimento de uma testemunha.
Como revelou o Estadão, a PF informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que vai investigar essas menções para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seria “sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como líder do esquema criminoso que desviou valores bilionários das aposentadorias. Procurada, a defesa de Lulinha disse que ele nunca teve relação com o INSS e classificou as menções como “ilações”.
Procurado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atuou anteriormente na defesa de Lulinha, disse que ele está “absolutamente tranquilo e acostumado com esse tipo de ilação”. “Ele reitera que não tem relação direta ou indireta com o INSS. Isso é mais uma vilania, mais uma tentativa de desgastar o governo”, afirmou.
Nessa representação, a PF explicou ter encontrado três conjuntos de citações a Lulinha. O primeiro está baseado no depoimento do empresário Edson Claro; o segundo, nos celulares apreendidos durante as investigações; e o terceiro, em passagens aéreas localizadas pela corporação.
A suposta intermediária na relação entre o Careca do INSS e o filho do presidente seria a empresária Roberta Luchsinger, que fechou um contrato de consultoria com o Careca do INSS e recebeu R$ 1,5 milhão em pagamentos. A investigação diz que, até o momento, não foram encontrados indícios da participação direta dele nos fatos investigados.
Em nota, a defesa de Luchsinger afirmou que ela foi procurada por Antônio Camilo para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol e que os negócios “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. “Nenhum contrato público foi jamais celebradoe nem mesmo negociado”, disse em nota. A defesa afirmou ainda que a empresária “possui relação pessoal com Fábio Luís e sua família há vários anos e não é a primeira vez que surgem ataques a Roberta ou a Fábio, fruto de sua amizade”. A defesa de Antônio Camilo afirmou que não ia se manifestar sobre os trechos porque não teve acesso à íntegra da extração do telefone celular dele até o momento nem teve resposta do STF a pedidos feitos sobre averbação de bens e liberação de valores para pagamentos de dívidas trabalhistas.
Veja abaixo os detalhes dessas menções: Depoimento de um ex-sócio do Careca do INSS
A PF ouviu no dia 29 de outubro o empresário Edson Claro, que atuava em uma empresa do Careca do INSS destinada à cannabis medicinal. Ele afirmou ter ouvido do empresário que Lulinha seria também sócio no empreendimento e que teria feito pagamentos ao filho do ex-presidente.
No termo de depoimento, ele afirmou: “Antônio afirmou diversas vezes que ‘Fábio Lula’ era seu sócio nesse projeto, e que participou de cerca de três reuniões sobre o tema. Antônio comentou ter enviado dinheiro a Fábio Lula, mencionando um valor aproximado de 25 milhões, sem especificar se em reais, euros ou dólares, e que tais recursos seriam provenientes da comercialização de kits de dengue. Antônio também teria dito ter antecipado valores a Fábio, inclusive pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, referidos como uma espécie de ‘mesada’”.
Careca do INSS ordenou pagamento ao ‘filho do rapaz’
Nos diálogos do seu WhatsApp, a PF detectou que o empresário Antônio Camilo Antunes ordenou a um funcionário que fizesse um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger. Nessa conversa, ele afirmou que o dinheiro seria para o “filho do rapaz”. Para a PF, essa pode ser uma referência a Lulinha. O valor dos pagamentos mensais coincide com a mesada de R$ 300 mil citada no depoimento de Edson Claro.
Roberta demonstrou preocupação com nome de Lulinha
A PF encontrou diálogos nos quais a empresária Roberta Luchsinger avisa ao Careca do INSS que foi apreendido um envelope com o nome do filho de Lula e manifestou preocupação com a divulgação desse vínculo.
No termo de depoimento, ele afirmou: “Antônio afirmou diversas vezes que ‘Fábio Lula’ era seu sócio nesse projeto, e que participou de cerca de três reuniões sobre o tema. Antônio comentou ter enviado dinheiro a Fábio Lula, mencionando um valor aproximado de 25 milhões, sem especificar se em reais, euros ou dólares, e que tais recursos seriam provenientes da comercialização de kits de dengue. Antônio também teria dito ter antecipado valores a Fábio, inclusive pagamentos mensais de cerca de R$ 300 mil, referidos como uma espécie de ‘mesada’”.
Careca do INSS ordenou pagamento ao ‘filho do rapaz’
Nos diálogos do seu WhatsApp, a PF detectou que o empresário Antônio Camilo Antunes ordenou a um funcionário que fizesse um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger. Nessa conversa, ele afirmou que o dinheiro seria para o “filho do rapaz”. Para a PF, essa pode ser uma referência a Lulinha. O valor dos pagamentos mensais coincide com a mesada de R$ 300 mil citada no depoimento de Edson Claro.
Fonte: Estadão
Foto: Paujlo Giandalia/Estadão
