NA VENEZUELA: Sob pressão popular , Maduro deu vitória política a Guaidó, avaliam analistas

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A necessidade de manter a oposição unida e motivada exigia que Juan Guaidó, voltasse à Venezuela. Ao desafiar a ameaça de Maduro e ser recebido por uma multidão entusiasmada em Caracas, o líder opositor obteve também uma vitória política contra Maduro, que hoje se encontra na defensiva e por isso preferiu não prender o opositor, dizem analistas políticos.

— Guaidó precisava voltar, ou a oposição interna se dissiparia. Mas ele transformou a volta em uma vitória na guerra de percepções. Ele é o homem tranquilo em um terno, como Clark Kent, que dá as cartas para o vilão (Maduro). Hoje Guaidó, que passou a última semana sendo recebido como presidente pela América do Sul e foi recebido por embaixadores, parece um presidente, enquanto Maduro parece fraco e nervoso — disse o analista do International Crisis Grupo Phil Gunson. — Maduro simplesmente teve medo de prendê-lo.

Segundo Luis Vicente Léon, presidente do Datanálisis, principal instituto de pesquisa venezuelano, “ficar fora do país seria demolidor para a liderança de Guaidó e completamente desestimulante para as pessoas”. Mas ser preso também criaria “um problema crítico”, especialmente “se Guaidó não estivesse seguro de uma explosão social significativa, implosão militar ou invasão externa”. A decisão do governo de permitir o seu ingresso sem prendê-lo sugere “uma disposição de Maduro para negociar”, avalia León.

— A decisão do governo de não prendê-lo parece indicar uma disposição pressionada para negociar. Obviamente, ao governo, em sua análise do custo e do benefício, esta opção pareceu melhor do que prendê-lo. Só que esta também era a opção preferida de Guaidó. Parece-me que estamos na antessala de uma negociação política — disse León, acrescentando que não se pode descartar que o governo prenda Guaidó “em outro momento, com menos atenção”, ainda que “duvide disso”.

De acordo com Andrei Serbin Pont, diretor da Coordenadoria Regional de Investigações Econômicas e Sociais, o governo Maduro entendeu que o custo imediato de manter Guaidó em liberdade seria menor do que o de prendê-lo. Isto, no entanto, não significa que o mandatário não vá ter prejuízos a médio e longo prazo, com a consolidação da força de Guaidó. Serbin Pont reitera que “há instâncias prontas para abrir ou assentar bases para algum tipo de diálogo entre as partes”, apesar de Guaidó “já ter demonstrado indisposição” para tal. Quanto aos embaixadores no aeroporto, eles estavam lá para mostrar que os países permanecem atentos:

— Estavam lá para demonstrar algum tipo de garantia e supervisão, no caso de detenção. E, também, para mostrar que a comunidade internacional não perdeu atenção, continua presente e considera os fatos na Venezuela como importantes — afirmou.

Vicente Léon diz que a presença dos representantes diplomáticos de 13 países no aeroporto provavelmente foi combinada, o que, em sua compreensão, “reforça a tese de uma negociação em ação”.

Redação e Agência Globo