DESEMPREGO: São Bernardo do Campo já sente os efeitos do fechamento da Ford

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O comércio no entorno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo já vive o dilema que o fechamento da unidade provocará na região. Como os metalúrgicos da montadora estão em greve, o movimento em padarias, postos de gasolina, farmácias e até em food trucks caiu pelo menos 50%.

Na padaria Paris House, ao lado da fábrica, os proprietários serviam cerca de 80 refeições no almoço. Agora, são 30. Também caíram as encomendas de pães e de café da manhã.

– Eu e meu marido investimos as economias da nossa vida nessa padaria, cerca de R$ 500 mil entre o ponto e a reforma, seis meses atrás, exatamente por causa da proximidade com a Ford. A notícia que a montadora pode fechar foi um choque — contou Zenir Camargo, proprietária do negócio.

O gerente do posto BR que fica a 800 metros da montadora, Ricardo Santana, também calcula queda de 40% no movimento do posto e do comércio que funciona no local, como temakeria, farmácia, loja de conveniência e barbearia. A Ford mantém um convênio com o posto para abastecimento da frota de caminhões fabricados na unidade, além dos veículos dos funcionários.

– O posto funciona aqui desde 1975 e sempre teve o convênio com a Ford. Essa notícia de fechamento, além de ameaçar o emprego dos metalúrgicos, também ameaça os nossos empregos — disse Santana.

Sem a fábrica, haverá um corte na massa salarial do município de aproximadamente R$ 600 milhões por ano, segundo cálculos do Dieese do ABC paulista.

– O impacto pode ser ainda maior, já que este cálculo não leva em conta salários de trabalhadores de empresas fornecedoras da Ford — afirmou Luís Paulo Bresciani, do Dieese.

Além dos funcionários da Ford, outros 27 mil empregos podem ser extintos em fornecedores, comércio e serviços. Haverá ainda uma perda de R$ 7 milhões de IPTU que a montadora recolhe e R$ 18 milhões em ICMS com o movimento da venda dos produtos que vão para os cofres do estado de São Paulo.

O governador João Dória negocia com três interessados uma solução para evitar o fechamento da fábrica, entre eles o Grupo Caoa, maior distribuidora da marca Ford na América Latina.

Para Alexandre Nistico, de 43 anos, o fechamento da unidade de caminhões da Ford gera, além de impacto financeiro, um “baque emocional”.

Ele começou sua carreira na Ford aos 14 anos, quando ainda era aprendiz do Senai. E, 27 anos depois, continua na empresa, tendo passado pelas áreas de produção e manutenção.

—Meu presente de aniversário de 43 anos foi a notícia do fechamento da unidade — diz ele, que foi acompanhado da mulher à passeata realizada pelos funcionários realizada na última terça-feira para mostrar sua indignação.

Fonte: Redação e o Globo