Valter Nogueira

por Valter Nogueira - 1 mês atrás

Racismo & História

Há vários conceitos acadêmicos sobre o racismo. É inegável que racismo consiste no preconceito e na discriminação a partir de percepções sociais baseadas em diferenças biológicas entre os povos. A meu ver, o racismo é fruto da intolerância gerada a partir da falsa ideia de que um grupo étnico é superior a outro.

Com base em teorias e crenças, foi estabelecida uma falsa hierarquia entre as raças, entre etnias. Em seguida, o próprio estado, em várias partes do mundo, promoveu doutrinas ou mesmo sistema político fundado sobre o direito de uma raça – considerada “pura e superior” – de dominar outras.

A prática de tais doutrinas derivou para o que se denomina de Racismo Estrutural. Este definido como a formalização de um conjunto de práticas institucionais, históricas, dentro de uma sociedade que coloca um grupo social ou étnico em uma posição melhor para ter sucesso, ao tempo que prejudica outros grupos de modo consistente e constante.

Fatos históricos revelam que, por ocasião da colonização da África, no século XIX, os europeus começaram a apresentar justificativas para a implementação da cultura e modo de vida europeus às sociedades negras. Entre as justificativas, surgiu o conceito errôneo de que os negros eram uma raça inferior.

George Floyd

A recente morte de George Floyd, nos Estados Unidos, voltou a expor o racismo latente naquele país. Lá, e em muitas nações ocidentais, o racismo é como que uma ferida que não cicatriza.

No caso de Floyd, a cena se repete: homem negro assassinado de forma brutal, a partir de uma ação violenta, desumana, perpetrada por uma policial branco.

Fato histórico

O racismo nos Estado Unidos é fato conhecido. Mas decidi pinçar um episódio no campo da Educação, como forma de mostrar fatos interessantes inerentes à luta e conquistas do povo negro nos EUA.

Inicialmente, a universidade nos EUA era racialmente segregada, voltada apenas aos estudantes brancos; os negros não podiam participar.

O Estado do Alabama foi um dos mais importantes palcos da luta dos negros contra o racismo e pelo direito ao voto. Em 1963, a estudante afro-americana Vivian Malone entrou na Universidade do Alabama para se inscrever para as aulas como um dos primeiros alunos não brancos a frequentar a instituição.

Fatos precedentes

Em 25 de setembro de 1957, o presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, ordenou que soldados fossem à cidade de Little Rock, capital do Estado do Arkansas, para proteger nove alunos negros e garantir o acesso destes à escola.

O governo central tentava assegurar a decisão de acabar com a discriminação racial nos estabelecimentos de ensino norte-americanos. Desde 1954, a Corte Suprema dos Estados Unidos declarou que a segregação dos alunos negros era ilegal.

Tumulto

Alguns estados do sul não seguiam a lei federal e vinham impedindo o acesso de alunos negros às aulas. Em 1957, o governador Orval Faubus, do Arkansas, ordenou a soldados que impedissem a entrada de nove alunos negros na High School de Little Rock.

Houve todo tipo de reações contrárias aos estudantes negros. Após a constatação de casos de agressão de pais e alunos brancos aos alunos negros na capital do Arkansas, o presidente Eisenhower ordenou o envio de uma divisão de homens da Marinha com a missão de restabelecer a ordem na cidade e escoltar os nove estudantes até a escola.

Fim

A foto histórica que ilustra o nosso artigo mostra ação hostil de brancos à aluna negra Dorothy Counts, que foi vítima de incessantes insultos e atos de racismo.

Triste!