Valter Nogueira

por Valter Nogueira - 3 meses atrás

Novo tempo

Muita gente, na Paraíba, ainda não entendeu ou assimilou que o governador do Estado é outro; com forma, comportamento e estilo diferentes do anterior. Mas, aos poucos – é claro – , o governador João Azevedo vai dando o tom, a marca, a fisionomia e a impressão digital da sua forma de gerir o Estado. O motivo do intróito é para lembrar que, mesmo passados cinco meses da posse do novo governante, há conversas nos meios políticos indicando que existem pessoas, no campo girassol, que ainda recebem com estranheza certas ações e decisões tomadas pelo atual chefe do poder executivo.

A princípio, tal comportamento não deveria ocorrer – mas é compreensível. Afinal, o ex-governador Ricardo Coutinho passou oito anos à frente do Palácio da Redenção. Mais do que isso, foi e é, ainda, líder de um grupo político; por seu trabalho, por sua história.

É recomendável a um homem público, ao assumir um cargo, dar continuidade administrativa às ações e aos projetos de governo, principalmente quando sucede um aliado político. Mais do que isso, deve avançar com novas iniciativas. A descontinuidade administrativa é sinônimo de desperdício de dinheiro público, é uma forma velha de governar que não cabe mais nos dias atuais; leva uma gestão do nada ao lugar nenhum, prejudica o povo.

Todavia, ser fiel a um projeto político, vale ressaltar, não obriga o gestor de plantão a ser uma cópia de seu antecessor, no modo de agir. Nunca é demais lembrar que, ao agir diferente, em determinadas decisões, não significa dizer que o mesmo está se rebelando, exceto se promover uma radical ruptura política e administrativa com o seu antecessor, o que não é caso em questão. O que importa é o conteúdo, a manutenção do projeto.

A meu ver, o projeto administrativo e político inaugurado por Ricardo – pertinente, vencedor, republicano e importante para o Estado – deve continuar, como forma de manter a Paraíba nos trilhos do desenvolvimento. Ou melhor, deve ser aprimorado. E, o que é melhor, é visível que Azevedo se mantém fiel ao conteúdo e avança com novas ações. O Governo continua com o mesmo modelo de gestão, mas, agora, sob a batuta de João Azevedo, que mostra ter DNA próprio.

Em recente entrevista, o governador Azevedo deu sinal, mais uma vez, que é diferente, que tem seu próprio estilo, ao afirmar que é governador dos 223 municípios, ao ser questionado sobre parcerias administrativas com a Prefeitura Municipal de João Pessoa, comandada por Luciano Cartaxo (PV) – opositor político, não inimigo.

João Azevedo foi além, ao ressaltar que não pode discriminar qualquer município para parcerias administrativas. Revelou ser um administrador sensato, um político hábil – ah, isso ninguém esperava! No consciente coletivo, João era conhecido como um exímio técnico e um grande professor, nunca um político. Mas, na verdade, na política tem se mostrado, a cada ato, um mestre; um professor-doutor.

A história tem revelado, pelo mundo afora, a ascensão de grandes líderes políticos; em nível local, estadual, regional, nacional e mundial. A história revela, também, que esses líderes, com raras exceções, terminam por fazer seus sucessores. Mas, após a vitória, e de forma equivocada, querem conduzir – mesmo que de longe – as ações de suas criaturas. Ora, o fato de ser líder e de fazer seu sucessor não dá ao primeiro o direito de querer conduzir a gestão do segundo, mesmo que de forma indireta. O tempo passa, a fila anda!

Ao gestor de plantão, em qualquer esfera de governo, é salutar mostrar, nos primeiros dias e nas primeiras ações, que tem identidade própria. E é recomendável governar com os seus, ou seja, com assessores de confiança, pessoas mais próximas. E isso, dentro dos princípios republicanos, não pode ser traduzido como ato de rebeldia ou rompimento com o seu grupo político. De forma contrária, dá credibilidade ao gestor do momento, ao tempo que engrandece a imagem de qualquer governo.