CATARATA: Alimentos que contribuem para a saúde dos olhos

Por Edmilson Pereira - em 1 mês atrás 305

A relação entre o que se come e a saúde dos olhos é tão antiga quanto aquela história de que os coelhos não usam óculos porque se alimentam de cenouras, contada para convencer crianças a se alimentarem melhor. A verdade é que a ciência tem avançado muito na compreensão de como a alimentação colabora em manter a visão funcional, principalmente na velhice. Um estudo recente, do King’s College de Londres, apontou que a vitamina C pode conter o avanço da catarata. Outros nutrientes têm se mostrado benéficos em preservar as estruturas responsáveis pela formação das imagens recebidas pelo cérebro.

No estudo de 2016, cientistas ingleses acompanharam 324 pares de gêmeas de idades variadas durante uma década. Entre as pessoas com maior consumo de vitamina C na dieta, houve uma redução de 33% na evolução da catarata — que é quando o cristalino, a lente do olho, fica opaco, causando visão turva. O processo, tão natural na maturidade quanto a pele enrugada, é causado pela oxidação, ou seja, pela ação dos radicais livres.

“Os radicais livres são formados dentro do corpo e provocam envelhecimento das células. Imagine um motor de carro que fica rodando sem fluido para remover suas impurezas, que vão se acumulando e promovendo corrosão”, compara o oftalmologista Leo Carvalho, da rede do plano de saúde premium Amil One. Na alimentação, algumas vitaminas e outros componentes têm propriedades antioxidantes, ou seja, combatem esse acúmulo. A vitamina C é uma delas.

O envelhecimento celular afeta algumas estruturas do olho. Além do cristalino, pode prejudicar a retina, um revestimento interno, de cor salmão, onde a imagem se forma. O problema mais comum aí é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que provoca perda progressiva da visão central. “Ela não era tão prevalente 20 anos atrás, mas com o aumento da expectativa de vida os casos têm crescido”, explica o oftalmologista.

Além de envolver a oxidação, a DMRI também é agravada pelo modo de vida. Alcoolismo, tabagismo, exposição ao sol sem óculos escuros, tudo isso encurta a chegada da doença. Como no caso da catarata, cuidar da alimentação ajuda no combate aos radicais livres que degeneram o olho.

Vale incluir na dieta fontes de vitamina E – como castanhas, brócolis, espinafre, kiwi e abacate – e de vitamina A – como mamão, abóbora, manga, laranja e queijo. Entre os minerais, atenção para o zinco, presente na alface, no grão de bico e em frutas como abacaxi, ameixa e banana.

Duas substâncias de nomes estranhos merecem atenção especial dos oftalmologistas: a luteína e a zeaxantina. São carotenoides (pigmentos naturais), de ação antioxidante, encontrados em alimentos como laranja, mamão, pêssego, nectarina e na gema do ovo. São importantes na prevenção da DMRI. “Nos casos em que a doença foi diagnosticada, mas está na fase inicial, seca, nós usamos complexos com concentrações impossíveis de conseguir apenas pela alimentação”, afirma Carvalho, que destaca a importância da prescrição médica nesse caso. Embora não ofereçam uma cura, os dois colaboram para estabilizar a progressão para o estágio mais agressivo, o exsudativo (com presença de líquido), que pode provocar cegueira.

Em tempo: na velha gracinha do coelho que não usa óculos porque come cenoura, há um fundo de verdade. O vegetal é rico em betacaroteno, substância que dá sua coloração alaranjada e é convertida em vitamina A pelo corpo. Ela previne a cegueira noturna, a dificuldade de enxergar bem na penumbra, além de ter efeitos antioxidantes.

Fonte: Redação e o Globo