Caiu a máscara de honestidade do socialista Ricardo Coutinho, agora denunciado por chefiar uma organização criminosa em desvio de recursos públicos

Por Edmilson Pereira - em 9 meses atrás 2227

As revelações vindas a público nos últimos dias, através de gravações feitas pelo empresário Daniel Gomes, representante da Cruz Vermelha, que entre  2011 e 2018, na gestão do socialista Ricardo Coutinho, faturou valores aproximados de R$ 2 bilhões e desviou outros R$ 134 milhões, somente na área da saúde,  em propinas, literalmente colocam o ex-governador paraibano no rol dos políticos denunciados por corrupção e desvio de recursos públicos, dinheiro recolhido dos honestos e trabalhadores paraibanos. As denúncias contra o socialista paraibano ultrapassaram os limites da Paraíba e no Brasil chegam a ser comparadas as que já respondem na Justiça Federal o ex-governador Sérgio Cabral (RN), condenado a penas que ultrapassam a 233 anos de prisão, e a Geddel Vieira (BA), só para ficar nesses dois exemplos bastante conhecidos de todo o Brasil.

Históricos

Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, ex-governador do Rio de Janeiro, foi deputado estadual por três mandatos, e senador de 2003 até 2006. Posteriormente, foi governador do Rio de Janeiro, com mandato de 1º de janeiro de 2007 até 3 de abril de 2014, quando renunciou ao cargo.

Em 2016 foi preso na Operação Lava Jato e tornou-se réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, sendo alvo da Polícia Federal nas operações Calicute, Eficiência, Fatura Exposta, Mascate e Unfair Play.

Encontra-se preso no pavilhão Bangu 8 do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Cabral também teve passagens anteriores polêmicas na Cadeia Pública José Frederico Marques, no próprio Complexo de Gericinó e no Complexo Médico Penal , na Região Metropolitana de Curitiba.

Condenado pela Justiça por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes, até 28 de agosto de 2019, as penas impostas a Cabral já ultrapassam 233 anos de prisão.

Geddel Vieira  Lima é ex-deputado federal eleito cinco vezes consecutivas pelo PMDB da Bahia, foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, no governo Dilma e ministro de Governo no Palácio do Planalto sob a gestão Michel Temer.

Foi preso preventivamente no dia 3 de julho de 2017, na Operação Greenfield, solto no mesmo mês para cumprimento em prisão domiciliar, e preso novamente em setembro de 2017, após a apreensão de mais de 51 milhões de reais em espécie em um apartamento ligado a Geddel, somente para depósitos de recursos recebidos de propina.

Ricardo Vieira Coutinho foi vereador de João Pessoa (1993-1999), deputado estadual (1999-2004) e prefeito da capital paraibana por duas vezes, sendo eleito pela 1ª vez em 2004 e reeleito em 2008. Renunciou à prefeitura de João Pessoa em 31 de março de 2010, durante o período de seu segundo mandato, para disputar o governo do Estado da Paraíba, sendo eleito em segundo turno para o cargo de Governador com 1.079.164 votos (53,70% dos votos válidos). Em 2014, é reeleito Governador da Paraíba com a votação de 1.125.956 votos (52,61% dos votos válidos).

Seu último cargo público foi o de Governador do Estado da Paraíba entre os anos de 2011 e 2018.  É o atual presidente da Fundação João Mangabeira, órgão pertencente ao Partido Socialista Brasileiro.

Foi preso pela Polícia Federal no dia 19 de dezembro de 2019 as 22h40, quando desembarcava no Aeroporto de Natal vindo de viagem à Europa.  Teve a sua prisão preventiva decretada no âmbito da sétima fase da Operação Calvário – Juizo Final,  que investigava um grupo que desviou R$134,2 milhões dos cofres públicos do estado, somente na área da saúde, em contratos de terceirização com a Cruz Vermelha, chefiada pelo empresário Daniel Gomes, delator e que gravou todas as conversas com o ex-governador e as entregou à Justiça, na esperança de redução de pena.

Após a prisão, Ricardo Coutinho foi levado a sede da Policia Federal em João Pessoa, passou por audiência de custódia e chegou a ser  recolhido à Penitenciária Média do Estado, no bairro de Mangabeira,  e solto um dia depois, através de um HC concedido pelo ministro Napoleão Maia, do STJ.

O que há em comum entre Sérgio Cabral, Geddel Vieira e o ex-governador Ricardo Coutinho,  são as acusações dos crimes praticados por eles, que passam pelo  recebimento de propina, corrupção e membros de organizações criminosas.

As denúncias contra o ex-governador Ricardo Coutinho, principalmente, através de conversas gravadas, que somam mais de 1.000 horas , em poder do Ministério Público e da Justiça Paraibana, são irrefutáveis, e expõem um político totalmente diferente daquele cuja imagem era massificada pela mídia, em muitos casos patrocinada com recursos públicos do Estado, que era de um gestor que realizava obras, trabalhador, honesto, zeloso com os recursos do contribuinte , incorruptível,  e que costuma ser virulento contra os seus adversários, quando o assunto era o trato com o dinheiro público.

Enganou a muita gente, usando a mídia e recursos do Estado para vender e fazer o povo acreditar que era o político e gestor mais honesto, dos honestos,  de todos os tempos na  Paraíba. Os fatos vindos a tona e do conhecimento de todos, graças ao trabalho investigativo do Ministério Público e da Justiça, e sobretudo, das mídias sociais e da Internet, onde tudo se divulga e nada fica escondido, a máscara caiu.

As denúncias feitas pelo empresário Daniel Gomes (Cruz Vermelha), em delação à Justiça,  e ainda pelos dois ex-secretários Lívânia Farias e Ivan Burity, ambos presos pela Polícia Federal, e que também delataram e respondem os processos em liberdade, todas apontam o ex-governador como comandante e beneficiário direto do esquema criminoso, que desviou milhões de reais de recursos público dos combalidos cofres público do Estado da Paraíba.

As acusações contra o governador Ricardo Coutinho são gravíssimas, para muitos, difíceis de serem desmentidas, diante das provas colhidas pelo Ministério Público do Paraíba, patrocinador da ação, e acolhidas pela Justiça que, inclusive,  já decidiu pela sua prisão.

O fato mesmo é que o ex-governador paraibano está hoje na lista comum. e grande,  de políticos corruptos, acusados por desvio de recursos públicos, chefiar uma organização criminosa , denunciado e preso, mas  com tempo ainda para se defender.