ALFABETIZAÇÃO: Programa Soma garante alfabetização na idade certa e modifica relação de alunos com a sala de aula

Por Edmilson Pereira - em 2 semanas atrás 149

Envergonhada com a presença do fotógrafo, Ester ria e colocava as mãos sobre os olhos. Enquanto as meninas conversavam, a professora segredou que a menor era mais tímida, mas a desenvoltura e a boa vontade da colega Camila encorajaram a amiga a se soltar. “Não precisa ficar com vergonha não, menina, tá todo mundo aqui com você”. Distribuídos alguns livros sobre a mesa, bastou ter um deles nas mãos e Ester já estava mais à vontade. Lia o livro em um ritmo gostoso e dava risada de algumas figuras. Conversou e contou que na escola ela se sentia em casa.

Camila Cristina e Ester Sousa, ambas com sete anos, são alunas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Henrique Dias, localizada no bairro do Alto do Mateus, em João Pessoa. Com o acompanhamento, a ajuda, e o carinho da professora Daiane Barbosa, as meninas aprenderam a ler, interpretar, e trabalhar em equipe. Agora, elas vão para o 3º ano do Ensino Fundamental e o trabalho realizado em sala de aula desde o processo de alfabetização até o momento não teve outro intuito a não ser ensinar as crianças uma operação básica, que vai muito além da matemática: somar.

A professora Daiane conta que, desde a implementação do programa Soma – Pacto pela aprendizagem da Paraíba, as crianças têm avançado no processo de alfabetização. “Eu converso muito com a professora do primeiro ano e nós elogiamos muito o material do Soma. Antes de terminar o segundo bimestre, eu já havia utilizado todo o material. A gente só pode elogiar, é um material que veio para agregar e sistematizar o trabalho do professor, colaborar com o planejamento, é um material muito claro tanto para o professor quanto para o aluno”, conta a professora.

 O Programa – Criado em 2017 e vinculado à Secretaria de Estado da Educação, o Soma é um programa que visa à melhoria dos indicadores de desempenho no Ciclo de Alfabetização e à progressão da aprendizagem no Ensino Fundamental. Constitui-se numa Política Estadual de Alfabetização e um importante instrumento de colaboração entre o Estado e os municípios. Estudantes do Ensino Fundamental da Rede Estadual e Municipal.

De acordo com Herbert Gomes, da Comissão Executiva do Soma, o programa já apresenta resultados comprovados. “Já tivemos uma melhora significativa na aprendizagem, em torno de 5% a 6% melhor do que o ano anterior, isso em um único ano, e a tendência do Soma é manter esse crescimento e expandir na medida que nós fortalecemos esse processo de formação e avaliação. Isso se transforma em uma cultura na rede. O professor deixa de trabalhar exclusivamente com o seu planejamento interno, e passa a trabalhar em cima de dados bem elaborados, históricos que acompanham o aluno no ciclo de alfabetização, e também com uma formação continuada que permite com que ele se atualize constantemente”, esclarece.

Herbert explica que o objetivo principal do Soma é o da alfabetização dos alunos na idade certa. Ao todo, são 97% dos municípios pactuantes do programa em todo o Estado. “Nós constituímos quatro eixos principais. O primeiro é o eixo de avaliação. Em 2017 e 2018 nós avaliamos em torno de 400 mil estudantes, é um processo único na região Nordeste, e é o primeiro que consegue atingir tal patamar. Todos os alunos do ciclo de alfabetização desses municípios e da rede estadual passam por um processo de diagnóstico”, afirma Herbert Gomes.

Ele explica ainda que após o diagnóstico o programa atua em duas vertentes: a formação do professor alfabetizador e disponibilização de material pedagógico. “O professor passa por uma formação continuada que é ministrada por professores especialistas da UFPB, e que já utiliza os dados da avaliação, então já é pensado em cima dos descritores que os professores e os alunos têm dificuldades de adquirir. Ao mesmo tempo, o Soma disponibiliza material de complementação pedagógica, são cadernos também focados nos descritores e no processo de avaliação, para que o professor possa implementar essa tecnologia educacional na sala de aula”, relata Herbert Gomes.